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  Bravos!... (s/ título)
Ary Barroso - 08/10/1929

Bravos! Como sempre és a mesma menina sensata, franca, minha grande amiga. Eu sabia que não me podias faltar, e de forma alguma censuro-a pelo seu procedimento. Quero cumprimentar-te pela tua franqueza e sensatez. Quero merecer de minha noiva que ela me chame de herói, de grande homem, de homem de caráter! Auxiliado por Deus, tudo se consegue na vida. E eu, que respeito Deus porque creio firmemente na sua existência, no seu poder, na sua bondade extrema, HEI DE VENCER. A nossa felicidade eu a construirei a despeito de qualquer sacrifício. Para mim, de agora em diante, não há barreiras capazes de me conter! Só se Deus não quiser.

Estou fazendo muitos números de música para a nova revista do Recreio. Quero ver se não é preciso pedir dinheiro emprestado. O calor aqui está medonho. Quinta, sexta e sábado tenho baile com o Rodrigues. Vou sair aqui do Hotel. Vou morar no Júlio novamente. Assim saldarei aquela minha dívida. Há quatro dias que não vejo ninguém lá da André Cavalcanti; melhor, antes só do que mal acompanhado. A história foi tão boa que dei agora para engordar. Estou mais pesado 2 quilos e meio. DEIXEI O BIGODE. Está um número. Dizem que me ficou muito bem. Que meu nariz diminuiu um pouco. Que músicas quer você? As minhas, ou qualquer outra? Aquêle samba "O amor vem quando a gente não espera" foi feito em solo para pianista. Está uma novidade. Tenho ido à Biblioteca todo o dia. Já tenho uma cadeira prontinha: Medicina Legal. Tenha fé em mim e confiança em Deus que tudo se ajeitara. Aqui agora deu para ter incêndio que não acaba mais. Todo dia tem um, quando não tem dois. É uma lástima. Que tal ficou o meu retrato? Bom ou mau? Vais passando bem? Responde-me a todas estas perguntas. Faço questão! Uma por uma. Bem, adeus. Lembranças à D. Aurélia. Forget me not.

Beijinhos do teu Ary – 8/10/1929

Carta a noiva Yvonne