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  Coisas de Ary

Não consigo me lembrar, exatamente, como e quando conheci Carmen. A música mais antiga que ela gravou de minha autoria é de 1932: "Isto é Xodó". Mas, desde que a vi, passei a considerá-la como uma estrela de grande futuro. E seria porque sempre a achei uma grande cantora? Não, ela não tinha mesmo nenhuma voz extraordinária. Seria acaso bonita? Penso que não. Seu corpo também não era de chamar a atenção. Carmen era o todo. Era o conjunto que fazia dela a maior coisa do mundo latino em matéria de cantora popular. Era uma reprodução, no mundo artístico, do fenômeno Domingos da Guia, que não tinha nenhuma qualidade de grande jogador, não sabia chutar, cabeceava mal, era até meio corcunda e foi o maior zagueiro do Brasil em todos os tempos.

Quando estive nos Estados Unidos, Carmen me deu uma pulseira com a dedicatória "Thanks for everything". A última vez que estive com Carmen, no Vogue, perdi essa pulseira. Engraçado, não é? Foi como se a tivesse devolvido. E nunca supus que sofresse tanto vendo Carmen morta, maquiada, só faltando falar. Fiquei surdo, mudo, cego, paralítico de emoção. Custamos tanto a fazer bons amigos, leais e legítimos amigos, que, quando nós os perdemos, é como se morressemos também.
 
   
 
   
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Comemoração vira boca-livre e balada em hotel em Copenhague
Luciana Coelho, Rodrigo Mattos e Sérgio Rangel - 03/10/2009 - Folha de S. Paulo

Vinho espanhol, dinamarqueses tentando entrar de penetras e ministro cantando Ary Barroso. Neste clima improvável, a comemoração da vitória da Rio-2016 virou a principal balada da noite de sexta-feira em Copenhague.

A celebração foi um dos últimos capítulos da gastança da delegação brasileira na Dinamarca. O Hotel SKT Petri foi praticamente fechado pela Rio-2016 desde o início da semana. A candidatura não divulgou os gastos da hospedagem da imensa comitiva, que contou com políticos, atletas e dirigentes.

Centenas de convidados e dezenas de bicões festejaram até a madrugada a conquista do projeto brasileiro para abrigar os Jogos. A movimentação na porta do Hotel SKT Petri atraiu até "tietes-relâmpago" dinamarquesas, que não conheciam quase ninguém da delegação brasileira, mas tiravam fotos de qualquer um que deixavam os carros que paravam na frente do prédio.

"Isso é lindo demais. Já chorei o dia inteiro. Agora, vou dançar samba até o sol nascer para lembrar do meu Brasil", disse a dançarina cearense Marcia Lemos, 27, com um taça do vinho Finca Antigua na mão e colocando vários pins da candidatura brasileira no bolso com a outra. Toda vestida com as cores do Brasil, ela e mais seis amigas conseguiram entrar no hall do Hotel SKT Petri com a ajuda de amigos da Embaixada brasileira.

"A vibração de vocês é linda demais. Já avisei em casa que em 2016 vou para o Rio. Se aqui é tão alegre assim, imagina na praia", contou o dinamarquês Mathias Shopper, 26, que confessou que entrou na festa sem convite.

A comemoração teve bebida e comida liberada. Além de vinho, os convidados bebiam cerveja e piña colada.

O ministro do Esporte, Orlando Silva não se conteve e subiu no palco para cantar. Acompanhado do grupo Caraivana, ele cantou um clássico de Ary Barroso - "Isto aqui, o que é?"'.

A comemoração terminou em clima de baile funk e quase em briga. Um convidado queria entrar numa área restrita e foi contido por seguranças.